sábado, 31 de julho de 2010

Ativistas hackers proclamam o fim da era dos segredos


Alexandre Rodrigues

Era a manhã do dia 30 de março quando um homem de cabelos quase brancos, magro, elegante e com os olhos cinzentos chegou a uma casa em Reykjavik, capital da Islândia. "Somos jornalistas e estamos aqui para escrever sobre o vulcão", ele disse ao dono da casa, que estava para alugar, indicando o grupo que o acompanhava.

Tratava-se de uma mentira. Julian Assange, o homem de cabelos brancos, não é um jornalista, tampouco foi à Islândia escrever sobre o vulcão cujas cinzas fecharam o tráfego aéreo na Europa por semanas. Naquela casa, em vez disso, a equipe conduziu o chamava de Projeto B. Decifrou o código que protegia um vídeo de 38 minutos, feito de um helicóptero militar americano, com o ataque a 18 pessoas no Iraque, inclusive dois jornalistas. As imagens vazaram para a internet em abril no site Wikileaks, espalhando grande controvérsia e desmoralizando um pouco mais a presença americana no país do Oriente Médio.

"Assange é um tipo de traficante internacional", escreveu sobre ele, logo depois, a revista New Yorker. "Ele e seus colegas coletam documentos e imagens que governos e outras instituições consideram confidenciais e publicam na web.

Esta semana ele voltou à cena com ainda mais destaque graças ao vazamento de 92 mil documentos do governo americano sobre a guerra no Afeganistão. Crimes de guerra, envolvimento do Paquistão em atos terroristas, falta de materiais e dificuldades em batalhas foram divulgados em um momento em que os Estados Unidos discutem a eficácia de ocupar o território afegão. Uma bomba na campanha militar e ponto para o chamado ativismo hacker, do qual Assange é o maior expoente. Mas não o único.

....

Sem segredos
No caso de Julian Assange, há uma razão pessoal por trás do ativismo. Quando tinha pouco menos de 30 anos, ainda morando na Austrália, se viu numa batalha judicial com a ex-mulher pela guarda do filho. O próprio processo foi seu primeiro caso. Diante da recusa da agência australiana de proteção aos menores de dar detalhes sobre o caso - os documentos eram considerados secretos até para os pais -, passou a distribuir folhetos aos assistentes sociais, incentivando-os a vazar informações. O processo terminou com um acordo para que a guarda da criança fosse compartilhada.

A Wikileaks levou o ativismo hacker a um papel de destaque. Já não apenas vaza informações como tem parcerias com a imprensa. Os jornais The New York Times e The Guardian, além da revista alemã Der Spiegel receberam com um mês de antecedência os documentos sobre o Afeganistão para decifrá-los e editá-los. Houve um acordo - cumprido - para que os publicassem juntos.

O escândalo sobre o Afeganistão certamente fará aumentar a lenda sobre a figura de Assange. Seus colaboradores dizem que ele não tem residência fixa e não passa muito tempo em um mesmo local. Às vezes sua presença provoca nas pessoas mais próximas um clima de paranóia, temerosas de que estejam sendo espionadas. O duro ataque à segurança dos Estados Unidos, esta semana, agora impede-o de viajar ao país. Se insistir, poderá ser preso.

"Há um papel legítimo para segredos e há um papel legítimo para a abertura", Assange disse Assange à revista alemã Der Spiegel após o vazamento dos documentos, explicando seu ativismo. "Infelizmente aqueles que cometem abusos contra a humanidade e a lei abusam dos segredos".



Reportagem completa: TERRA

2 comentários:

paulo disse...

muito boa pedrao..

eu sou a favor deste movimento!

Pedro H. disse...

Pelo fim dos segredos!

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